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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Antes do apagar da luz

De repente, paro a música. O silêncio invade.
Não me pergunta se quero companhia, que audácia.
Já chega me abraçando e me envolvendo, como de costume.
Rotineiro esse palhaço, não o suporto?
Contando-me mentiras, sobre saídas, portas e umbrais.
Que de fato não me levam a lugar algum.

"Antes do apagar da luz", de Pedro Xudré.

sábado, 2 de abril de 2011

Luz fugidía

Serpentinas, rojões, fogos de artifício
Artesão algum pôde
Moldar com tanta maestria
Feitio igual ao teu
Reluz musa
Deleito-me em ti.
"Luz Fugidía", de Pedro Xudré.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Ed sempre

Um conto de dois mundos 
As fornalhas tingiam o céu de um amarelo esquecimento.
A cidade roncava na colina abaixo.
Menos um. Apenas um. Olhava esperançosamente por entre as ameias.
Um fruto de contentamento nascia de seu olhar. Eram duas da manhã.
Um novo dia já despontava em seu semblante. Para ele, novos dias longe dali, era tudo o que possuía.


O cargo que hoje exercia como capataz seria apenas um sonho, não, simplesmente um desconfortante devaneio tardio.

A mulher, erodida pelo tempo, que sedimentava sua cama e seu gozo, seria também apenas uma meada de algo que não foi. Apenas algo que nunca fora.

E as passadas das horas fazem trilhas pelas nuvens. São quatro da manhã.

Ainda fita o teto. Mas não é tijolo o que contempla, são possibilidades, são histórias não vividas. Senta. Esfrega os olhos. Sente. O tremor levemente toma-lhe o vigor das mãos. Já são quarenta e dois anos naquelas montanhas. Os óculos, onde estão? Não sabe. Mas conhece o paradeiro do medo. Aquele, de viver mais quarenta e tantos encarando o mesmo azedume do espelho, o charco em que havia transformado sua existência, algo que zombava daquilo que acreditavam ser a semelhança ao próprio Deus.

É. Havia o tempo.

Não tinha mais tempo. Precisava agir.

Seu destino, um copo d'água de torneira frente ao espelho algoz.

Navalha. Carne. Liberdade. Enquanto a vista escurecia, a mente ganhava a luz. A tão sonhada luz, fugidia daquela parte do mundo, do seu mundo.

Já não era mais velho, ou mesmo criança, era idéias, sonhos, esperanças. Apenas desígnios. O que sobrara, traçava ascendente rota sobre as choupanas. Podia sentir o vento ainda. O que foi um dia, não fazia mais questão, não se importava. Para ele, eternamente, só lhe valia o adiante.

E assim, seguiu-se o sempre daquele que em vida não o era mais do que aquilo que se tornara após a morte: sonhos, e bons sonhos.
Pedro Xudré.
http://xudre.tumblr.com/

Ausência

Quando pássaros debandam em revoada
Quando rios secam de caudalosa vida
Amor, foi uma partida, uma jornada
À Deus o tempo, adeus amada.
"Ausência", de Pedro Xudré.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Vago

Sol de post-it em céu de piscina
Armado rente ao vão segue o meliante
Cantante, trôpego, mas bem confiante
De mais uma manhã de alforria
É grande a cantoria na praça da Sé
É muita a fé de pequeno povo
Sôfrego, roto e inrotulável
Mantêm o passo pobre criança
Feito já de pó e desesperança
Fruto vulgo de amante porfia
E segue a cantoria: "lá lá lá vai o dia
Sente, rente a carne fria, pá pá pá
Frio metal, rápido e sem rancor, trá trá trá
Pernas e joelhos ao chão, tum tum tum
Menos um João no coro, oh oh oh
Mais duro o couro do cidadão, hum hum hum
"
 
"Vago", de

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Só você

Capciosa, frutífera e veloz
Minha mente segue atroz
Frente ao desejo meu
Sinto a clausura de falta tua
Vem, me hidrata ao som da sua voz
Pedro Xudré.